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Desafios e oportunidades para combate ao Aedes aegypti são apresentados em palestra

Imagem: Foto da Profª Márcia Castro"Combater o mosquito é promover uma mudança de cultura. É um trabalho de todos." Assim o Vice-Reitor no exercício da Reitoria da Universidade Federal do Ceará, Prof. Custódio Almeida, abriu as atividades da palestra "Desafios para o enfrentamento das doenças transmitidas pelo Aedes", proferida na manhã dessa quarta-feira (12), no auditório da Reitoria, pela pesquisadora Márcia Castro, professora associada da Harvard School of Public Health, dos Estados Unidos.

A articulação entre os poderes públicos e a academia, através da campanha UFC e Você contra o Mosquito, foi ressaltada pelo Vice-Reitor, que afirmou não terem efeito sem a participação popular as ações de combate ao Aedes aegypti.

DESAFIOS E OPORTUNIDADES – Ao apresentar um apanhado histórico da presença do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya no país, Márcia Castro lembrou que o Aedes aegypti já fora eliminado no Brasil e em vários países da América do Sul no fim da década de 1950 através de campanhas financiadas pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). "É importante lembrarmos que historicamente o mosquito já tinha sido eliminado com ações que são muito parecidas com as de hoje. Podemos ter outros produtos químicos, mas as ações são as mesmas", frisou a pesquisadora, destacando que a maior parte dos criadouros é fruto da ação humana.

Para Márcia Castro, o foco no enfrentamento ao mosquito é claro: "Se você analisa os gastos relativos ao controle das doenças, o principal é e deve ser o controle vetorial, porque, para resolver o problema, deve-se atacá-lo na fonte." Os desafios apontados pela professora para a eficácia das ações envolvem a mudança no padrão de urbanização – com acesso regular a uma rede completa de infraestrutura, a participação comunitária e a colaboração intersetorial do poder público.

Veja outras imagens da palestra no Flickr da UFC

INTEGRAÇÃO – Após a palestra de Márcia Castro, o público pôde assistir a um painel com representantes do Governo do Estado, da Prefeitura de Fortaleza e da própria UFC. O momento foi coordenado pelo Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Prof. Antonio Gomes. "A integração dos diferentes atores é fundamental no enfrentamento dos desafios elencados pela Profª Márcia Castro", defendeu.

Para o coordenador do Comitê Gestor Estadual de Políticas de Enfrentamento à Dengue, Chikungunya e Zika, Caio Cavalcanti, também é importante reconhecer lacunas para Imagem: Foto do público do auditóriouma estratégia conjunta. Cavalcanti apresentou as ações desenvolvidas pelo comitê e destacou a colaboração da UFC através do Programa Aedes em Foco. "Precisamos integrar mais as nossas ações e ter responsabilidades claras divididas entre as três esferas de governo: federal, estadual e municipal, com incorporação de novas práticas pedagógicas, de tecnologia e de comunicação social nas ações destinadas à população", completou.

Antonio Lima Silva Neto, gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde de Fortaleza, reconheceu que 2017 apresenta-se como o momento mais "grave" dos últimos anos em decorrência da epidemia de chikungunya, que, segundo projeções da célula, deve chegar a 250 mil casos na capital cearense até o fim do ano. Para o gerente, "o controle vetorial tradicional prestou um grande serviço e ainda presta", mas outros mecanismos de controle vetorial devem ser propostos pensando em questões como escala, custo-efetividade, sustentabilidade e aceitabilidade, por exemplo.

Completando a mesa do painel, o Prof. Luciano Pamplona, do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina (Famed), avaliou como "incômoda" a associação à pobreza que grande gama de pesquisadores, principalmente de fora do Brasil, costuma fazer quando se fala em arboviroses. "Particularmente eu não acredito nessa associação clara. Quem notifica é o serviço público, que atende especialmente as pessoas mais pobres. Os hospitais particulares registram apenas 1,5% das notificações", apontou Pamplona ao relatar a lotação das emergências do serviço privado, constatada pelo próprio docente ao realizar tratamento de chikungunya. Para o professor da Famed, a doença deve "descompensar" o serviço de saúde por muito tempo devido às complicações que os pacientes apresentam após a fase aguda.     

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC – fones: 85 3366 7331 e 3366 7938

Créditos

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