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Dança do Toré marca abertura da I Semana dos Povos Indígenas na UFC

Imagem: Indígena confere abertura do evento no auditórioUma saudação à ancestralidade do povo cearense ecoou na noite dessa segunda-feira (17), no Auditório Valnir Chagas, na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará, com os cânticos da dança Toré. Um dos símbolos de resistência dos indígenas do Estado, o ritual, feito pelo povo Tapeba, do município de Caucaia, marcou o início da I Semana dos Povos Indígenas na UFC. O evento segue até quinta-feira (20), na discussão de questões como saberes, direitos, desafios e conquistas dos índios no Ceará.

Abrindo a solenidade esteve a Orquestra Escola do Ceará, projeto de extensão do Instituto de Cultura e Arte (ICA) da UFC, executando clássicos do cancioneiro cearense, como Terral, do compositor Ednardo, e Mucuripe, de Belchior e Fagner. A apresentação encerrou com a música Curumim, que retrata o cotidiano de brincadeiras e vivência com a natureza dos pequenos índios, de autoria do maestro Elismário Pereira, regente da Orquestra.

Veja outras imagens da abertura do evento no Flickr da UFC

O auditório lotado, com a presença de pesquisadores das questões indígenas, estudantes, professores e, ainda, dos mestres da cultura cacique João Venâncio e pajé Luiz Caboclo, acompanhou as discussões da mesa de abertura. A professora indígena graduada pela UFC Margarida Tapeba, compôs o debate e ressaltou a importância da abordagem dos direitos desses povos tradicionais no atual contexto político brasileiro.

Imagem: Prof. Babi Fonteles"A situação que a gente vive hoje é bem constrangedora, a gente sabe que a história continua, só mudaram os personagens, só mudou a forma de matar: antes era na bala mesmo, na força bruta, e de uns dias para cá estão matando com tinta e caneta, descumprindo e fazendo novas leis para tirar o que a gente já conquistou. Esse evento é importante no sentido da divulgação dos povos indígenas do Estado do Ceará porque a gente vê que muitas pessoas não se dão conta. Temos 14 povos no Estado e muita gente ainda pergunta: 'No Ceará tem índio?'. O que as pessoas precisam entender é que a gente está aí o tempo todo", comentou Margarida Tapeba.

Na ocasião, o Prof. Babi Fonteles, um dos organizadores da Semana, destacou as ações da UFC junto aos índios no Estado, como a apresentação dos tremembés de Almofala, em 1965, na Concha Acústica da UFC; a pesquisa científica, nos anos de 1970 e 1980; e, mais recentemente, a partir dos anos 2000, a formação de professores indígenas em nível superior.

"Agora se trata de a universidade abrir definitivamente suas portas para incluir os povos indígenas, não incluir de qualquer jeito, mas como protagonistas de sua história. Os indígenas daqui são pioneiros na criação das licenciaturas interculturais, é uma outra realidade que essa universidade passa a vivenciar. Estamos ainda dando os primeiros passos, mas podemos dizer que esses passos são promissores de que um dia essa universidade venha a ser efetivamente uma universidade dos indígenas, não só uma universidade inclusiva, mas um local em que eles possam se sentir absolutamente em casa porque vai ter a cara deles também", afirmou o Prof. Babi Fonteles.  

Imagem: Prof. Custódio Almeida ao lado de Margarida TapebaRevelando a satisfação em ter participado da equipe de elaboração do primeiro curso superior na modalidade Licenciatura Intercultural, o Curso de Magistério Indígena Tremembé Superior (MITS), em 2008, o Vice-Reitor da UFC, Prof. Custódio Almeida, enfatizou a importância da inclusão dos povos indígenas cearenses na Universidade. "Inclusão não é somente trazer de forma passiva alguém que está fora para dentro, é muito mais desafiante pois exige fusão de horizontes, é fazer com que aqueles que são incluídos tenham voz e nos ensinem. O grande aprendizado de uma semana como essa é descobrir que quando a gente traz a cultura indígena estamos fazendo reverberar uma marca no nosso corpo. A cultura indígena não está isolada nos diferentes grupos que lutam por terra e direitos, mas ela está arraigada na gente. Quando a universidade traz as lutas de inclusão, na verdade ela dá voz a tudo aquilo que está em silêncio nas nossas vidas. Ser brasileiro é ser indígena e vocês estão nos dando a oportunidade de redescobrir isso", disse.

A I Semana dos Povos Indígenas na UFC é uma realização do Apoio aos Processos de Subjetivação e Educação Indígena no Ceará – APSEI (Departamento de Estudos Especializados – Faced/UFC); Laboratório de Identidade, Cultura e Subjetividade – LAICUS (Departamento de Estudos Especializados – Faced/UFC); Grupo de Estudos Direitos das Minorias (Faculdade de Direito/UFC); Grupo de Estudos e Pesquisas Étnicas – GEPE (Departamento de Ciências Sociais/UFC); Observatório dos Direitos Indígenas: Direitos Humanos e Violações no Ceará (Departamento de Ciências Sociais/UFC) e Laboratório de Estudos Agrários e Territoriais (Departamento de Geografia/UFC), com apoio do Ministério Público Federal (MPF) e Núcleo Interdisciplinar em Direito e Sétima Arte – NIDESA (Faculdade de Direito/UFC).

A programação completa pode ser acessada on-line. Mais informações estão na página do evento no Facebook.

Fonte: Prof. Babi Fonteles, da organização do evento – fone: 85 99186 7333 / e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Créditos

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